Poesias de 1 a 99

Poema #10: O voo do morcego

Solto em São Paulo, aonde iria?
Rompia a noite, não decidia.
Abria as asas: para onde ia?

Se fosse Batman, já saberia
qual o combate de cada esquina.
Mas nem pra Coringa prestaria.

Vampiro? Não, desmaiaria
à vista de sangue.
Dos predadores recusava
até a fantasia.

Ao encontro da rua,
sumiria.
De encontro ao muro,
desaparecer: será, seria?

Solto em São Paulo, sobrevoaria
avenidas edifícios várzeas varandas tabacarias
mercados de luxo
de porcarias
sobejas ninharias.

Aberto ao acaso,
negociaria com o tempo?
render-se: ia?

Embalado pelo eco incômodo,
cantaria, não cantaria
dançaria, não dançaria
as sirenes, dedilharia
o silêncio, ouviria.

Do presente, o futuro.
Do futuro, o passado.
Os tempos imperfeitos
impecavelmente alinhados.

Com ou sem condições,
fazer o que faria
em qualquer São Paulo.

Felipe Duarte de Paula

Felipe Duarte de Paula nasceu em 1987. Formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, é promotor de justiça. Mora com a família em São Paulo. Em 2024, lançou o livro de poemas Vida selvagem, pela editora Patuá, disponível em https://www.editorapatua.com.br/vida-selvagem-poemas-de-felipe- duarte-de-paula/p e em https://www.amazon.com.br/Vida-selvagem-Felipe-Duarte- Paula/dp/655864794X

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Desative para continuar